sexta-feira, 1 de abril de 2011

Sociedade civil se une contra afirmações preconceituosas de Jair Bolsonaro

Sociedade civil se une contra
afirmações preconceituosas
de Jair Bolsonaro
Já falei aqui nesta coluna anteontem que o Brasil precisa se mobilizar contra a cretinice do deputado Jair Bolsonaro, que cometeu um ato explícito de racismo, em rede nacional de TV, no programa CQC, ao responder pergunta da cantora Preta Gil, filha do ex-ministro Gilberto Gil. O cretino, que, além de nazista truculento revelou-se covarde, está dizendo que entendeu que Preta Gil, que, por sinal, falou português cristalino, se referia a uma relação homossexual. Ora, se o racismo é crime, a homofobia também o é. Portanto, é preciso haver uma mobilização nacional contra esse entulho autoritário que se chama Jair Bolsonaro, nazi-fascista e defensor da pena de morte. A sociedade civil já começa a se mobilizar em apoio ao processo que Preta Gil começa a mover contra o tiranete Bolsonaro. O Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), que realiza um seminário sobre racismo esta semana, na UnB, foi uma das primeiras entidades a assinar a representação encaminhada à Procuradoria Geral da República com pedido de abertura de um processo legal contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por práticas recorrentes de injúrias, ofensas à dignidade e incitação da discriminação e de preconceitos.
Segundo Alexandre Ciconello, assessor político do Inesc, a conduta do deputado fere o artigo 20 da lei Caó, lei 7716/89 e também o inciso XLII do artigo 5° da Constituição Federal. "Se esse tipo de atitude não configurar crime de racismo, o melhor a fazer é rasgar a lei e também a Constituição Federal", ressalta.
Ainda de acordo com Ciconello, a Constituição é explícita ao repudiar o racismo como prática social, considerando- o um crime imprescritível e inafiançável. "Esse tipo de denúncia pode acontecer em qualquer momento, mesmo muitos anos após a realização da ação discriminatória, e não pode haver liberdade provisória para o acusado mediante o pagamento de fiança", explica. A iniciativa é uma resposta às afirmações de cunho racista proferidas pelo deputado no programa CQC, veiculado segunda-feira, 28. Nele, Bolsonaro, ao ser indagado pela cantora Preta Gil "se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?", afirma: "Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja, eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o seu". Especialistas da área de direitos da população negra estão em Brasília para discutir questões sobre racismo, igualdade e políticas públicas. O debate tem grande importância, já que essa camada da sociedade corresponde a mais de 50% da população brasileira, sendo que metade vive abaixo da linha da pobreza. As desigualdades entre negros e brancos também se revelam nos setores da educação, segurança pública e mercado de trabalho.



Fonte: http://www.defato.com/crispiniano.php

Conselho de Ética rejeita pedido de Bolsonaro

Conselho de Ética rejeita pedido de Bolsonaro
01/04/2011:
Mesa Diretora da Câmara já recebeu seis pedidos para investigar o deputado do PP do Rio

Da Agência Brasil

O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado José Carlos Araújo (PDT-BA), negou nesta quinta-feira (31) um pedido do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) para prestar esclarecimentos ao colegiado sobre comentários considerados racistas que ele fez no programa CQC, da TV Bandeirantes.
Diante da repercussão e das criticas às declarações, Bolsonaro encaminhou requerimento ao conselho para ter a oportunidade de esclarecer dúvidas. Segundo o deputado, as dúvidas foram provocadas porque ele não teria entendido uma pergunta que lhe foi feita durante o programa.
O presidente do conselho afirmou que negou o pedido de Bolsonaro porque o colegiado só pode ser acionado por intermédio de representação feita pela Mesa Diretora da Câmara ou por algum partido contra um deputado.
- O Conselho de Ética não pode ser acionado por um parlamentar.
Araújo disse que telefonou para Bolsonaro e lhe informou que despachou o requerimento para a Mesa Diretora da Câmara dê seu parecer.
Ao todo já foram protocoladas na Mesa da Câmara, nos últimos dias, seis representações contra o Bolsonaro por causa de declarações feitas pelo ele. Para os autores dos pedidos, as declarações de Bolsonaro têm conteúdo racista e homofóbico.
Caberá ao presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), decidir se encaminhará ou não as representações à Corregedoria para que ela investigue o caso e dê parecer sobre as representações.
Se a Corregedoria for acionada para investigar as denúncias, Bolsonaro terá direito de defesa. Só depois disso o parecer será encaminhado à Mesa da Câmara, que decidirá, então, se encaminha ou não a representação ao Conselho de Ética para abertura de processo contra o parlamentar.
Polêmica
No programa CQC, o deputado foi questionado pela cantora Preta Gil sobre o que faria se seu filho se apaixonasse por uma negra, Bolsonaro ofendeu a filha do cantor e ex-ministro Gilberto Gil.
- Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como, lamentavelmente, é o seu [referindo-se a Preta Gil].
Bolsonaro justificou a resposta dada dizendo que ou não deve ter entendido bem a pergunta ou o programa pode ter editado o quadro.
Após a reação de movimentos de defesa dos direitos dos homossexuais, Bolsonaro disse que não voltaria atrás e que está “se lixando” para a opinião do movimento gay.
- Estou me lixando para o movimento gay. O que eles têm para oferecer? Casamento gay? Adoção de filho por gay? Nada disso acrescenta nada.

Antes de polêmica, Bolsonaro reapresentou projeto sobre cotas

Antes de polêmica, Bolsonaro reapresentou projeto sobre cotas

FOLHA ONLINE 31/03/2011 20h49
 
O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) pediu, no começo do mês, o desarquivamento de um projeto que destina metade das 513 vagas da Câmara para negros e pardos. Nesta semana, ele fez declarações classificadas como racistas na TV.
O texto do projeto é claramente uma ironia e marca a posição do deputado contra o sistema de cotas nas universidades. "Se o sistema de cotas é justo para o ensino, deve também ser a representação federal. Mesmo sendo autor da proposição, por coerência, votarei contra essa matéria", disse o parlamentar no projeto.
Bolsonaro virou alvo de polêmica na última segunda-feira, quando Preta Gil perguntou no programa 'CQC', da TV Band, como ele reagiria se seu filho se apaixonasse por uma negra. 'Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu', respondeu o deputado.
O deputado já é alvo de sete representações por quebra de decoro parlamentar na Câmara. Cinco já estão na corregedoria.
POLÊMICA
O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou nesta quinta-feira que o colega Bolsonaro tem se caracterizado como um deputado estúpido. Vaccarezza propôs que o caso do congressista, que fez declarações classificadas como racistas na TV, seja analisado também pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), não só pela corregedoria e Conselho de Ética da Casa.
Na opinião do líder, a CCJ tem que se debruçar sobre os limites da imunidade parlamentar. "Qualquer deputado tem seu direito de palavra garantido, mas será que a Constituição garante alguém que defenda o holocausto, por exemplo? Acho que essa é uma discussão mais profunda, que não cabe só ao Conselho, mas também à Comissão de Justiça", disse Vaccarezza.


Bolsonaro só é corajoso para ofender, provoca Jean Wyllys

Bolsonaro só é corajoso para ofender, provoca Jean Wyllys

Portal TerraMarcela Rocha
Primeiro deputado federal assumidamente gay, Jean Wyllys (Psol-RJ) não esconde sua revolta com as declarações consideradas racistas e homofóbicas do "colega" Jair Bolsonaro (PP-RJ). "Agora Bolsonaro está tão amedrontado. Ele que sempre foi tão corajoso para ofender os homossexuais, para debochar das vítimas da ditadura militar...", provoca o socialista. Para Wyllys, há uma tentativa do pepista de substituir o racismo pela homofobia, porque a ofensa aos LGBTs ainda não é considerada um crime no Brasil.
Em entrevista para o programa CQC, ao responder se aprovaria o relacionamento de seu filho com uma negra, o parlamentar disse que "não corria o risco" por que eles foram "muito bem educados" e não viveram num ambiente "como lamentavelmente" era o dela.
E, na manhã desta terça-feira (29), menos de 12 horas após veiculada a entrevista, o deputado retificou suas afirmações, dizendo que não tinha entendido a pergunta:
- Eu entendi que ela me perguntou o que eu faria se meu filho namorasse um gay (...) Se eu tivesse entendido assim (da forma como a pergunta foi feita), eu diria: 'meu filho pode namorar qualquer uma, desde que não seja uma com o teu comportamento'. Se eu fosse racista, eu não seria maluco de declarar isso numa televisão - afirmou para o Terra.
Um grupo de 20 deputados está levando adiante cinco medidas que pretenderam tomar em relação a Bolsonaro: ingressar com uma representação junto ao Ministério Público Federal, recorrer ao Conselho de Promoção da Igualdade Racial, recorrer também ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e, por fim, pedir ao PP que o destitua da cadeira a qual ele tem direito na Comissão de Direitos Humanos na Câmara.
Segundo relata Jean, corre nos corredores do Congresso que Bolsonaro já empurrou a atual ministra Maria do Rosário, chamando-a de "vagabunda". O socialista relata também que o pepista não pouca seus colegas de ironias e ofensas.
Terra Magazine - No mesmo dia em que Bolsonaro fez uma série de ofensas aos homossexuais, era criado um coletivo de parlamentares em defesa desse tipo de violência.
Jean Wyllys - Criamos um conjunto de parlamentares que representa os interesses do contingente ofendido pelas declarações de Bolsonaro. Este grupo se reuniu e decidiu aderir à representação de Manoela Dávila e Brizola Neto. Acreditamos que as declarações foram de fato ofensivas, que incorreu em crime de racismo.
Ele alegou não ter entendido a pergunta. O que o senhor acha disso?É preciso desmascarar a estratégia de Bolsonaro: ele está tentando se safar de um crime de racismo que ele cometeu. Por que é que ele está assumindo com todas as letras ser homofóbico e injuriando os homossexuais da maneira grotesca, violenta e odiosa? Porque ele sabe que no Brasil homofobia não é crime. Então, ele se assume homofóbico e se desculpa pelo crime de racismo, porque ele sabe que homofobia não é crime. Ele não teve coragem de assumir a sua própria posição, reiterando as declarações que deu ao CQC. E mais, o argumento de que ele não entendeu a pergunta da cantora Preta Gil é acreditar que as pessoas são muito ingênuas ou burras. Até foneticamente não há nenhum tipo de proximidade entre mulher negra e filho gay.
Os parlamentares pretendem usar isso na acusação? A homofobia e a violência contra homossexuais gozam de um aceite social e de um silêncio da maioria das pessoas. É inadmissível que um homem desse, que viole os direitos humanos dessa forma, mantenha o assento na Comissão de Direitos Humanos da Câmara. A Corregedoria vai abrir uma sindicância, assumimos o compromisso de pedir a cada um dos presidentes dos partidos que assinem para que representemos no Conselho de Ética. Agora, Bolsonaro está tão amedrontado. Ele que sempre foi tão corajoso para ofender os homossexuais, para debochar das vítimas da ditadura militar, tão corajoso para inclusive empurrar Maria do Rosário aqui enquanto ela era deputada, antes de ser ministra.
Como foi isso? Ele empurrou ela, dizendo que ela era vagabunda, quando ela era deputada, antes de assumir o Ministério.
Ele pode, de fato, perder o mandato? Pode, é claro que pode. Caso isso se configure como crime de racismo, tem aí uma quebra de decoro parlamentar. É muito fácil para ele tentar polemizar comigo, jogar essa questão para o ódio aos homossexuais, se assumindo homofóbico. Por que ele não compra briga com Edson Santos e com Luiz Alberto, que são dois parlamentares negros e que sabem que ele praticou racismo? A dignidade das mulheres, negros e gays terá que ser respeitada, goste ele ou não, goste a gentalha que saiu em defesa dele na internet ou não.
O senhor acompanhou a movimentação na internet? Eu não tenho medo de ofensa, nem de injúria. As injúrias e ofensas estão sendo devidamente identificadas e as pessoas não ficarão impunes. Vamos continuar, insistir porque tudo tem limite.
Nesse momento, é aberta uma discussão sobre tornar homofobia um crime. Em que pé que está essa discussão? É óbvio que está na hora de tornar a homofobia um crime. Essa situação mostra como é necessário o projeto de Lei 122 ser aprovado o quanto antes. É inadmissível que alguém faça o que ele fez e saia impune. Ouvir esse tipo de coisa vindo de um deputado federal é um absurdo. Eu imagino como Preta Gil se sentiu ao ouvir aquilo. É impossível que esse homem abuse da imunidade parlamentar dessa maneira. E o que me assusta também é que tem gente que ainda defende esse homem, anonimamente ou não. Isso é tão chocante, tão chocante... Não adianta ele apelar, eu vou desmascarar toda tentativa dele de fugir da acusação de racismo. Ele vai pagar pela língua ferina dele.

Filho do ex-jogador Edmundo é nova vítima da homofobia de Bolsonaro

Filho do ex-jogador Edmundo é nova vítima da homofobia de Bolsonaro
01/04/2011:

A nova vítima do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi o estudante Alexandre Mortágua, filho da ex-modelo Cristina Mortágua e do ex-jogador Edmundo. O parlamentar fez ataques homofóbicos contra o estudante e modelo durante entrevista para uma rádio de São Paulo. Bolsonaro disse que Alexandre tinha se tornado gay por causa do meio em que viveu.


O estudante respondeu via assessoria de imprensa com uma nota. "Não disse que foi o meio que me fez experimentar. Ele disse que não entendeu a pergunta do CQC e por isso fez aquela infeliz declaração provando o quanto é racista e preconceituoso. Agora, eu acho que ele tem sérios problemas com interpretação de texto" informou Alexandre.

Já a cantora Preta Gil foi surpreendida com a invasão do seu site por um hacker que acabou tirando o portal do ar. O invasor se diz defensor do deputado Jair Bolsonaro que atacou gays depois que a cantora fez uma pergunta para ele no programa "CQC".
Preta desabafou no Twitter considerando um "absurdo" a invasão. "Meu site foi hackeado por um fanático que se diz defensor do Tal Deputado (sic). Mais uma vez eu me pergunto, o que está acontecendo?" escreveu a cantora. 
Em outro trecho escrito na página do site de relacionamento, Preta lamenta tanta "agressividade, racismo e preconceito". "Sinto estar vivendo um retrocesso no caminho da humanidade, nunca imaginei ver de novo tanta agressividade, racismo e preconceito. Nas palavras ditas diariamente por esse Deputado em programs de TV, rádio e jornais, não só ao meu respeito, mas a um afronte a todos nós" desabafou a cantora.
A Corregedoria da Câmara dos Deputados recebeu quatro representações contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) com um pedido de investigação para identificar se houve quebra de decoro parlamentar por meio das declarações sobre negros e homossexuais.

Jair Bolsonaro pede apedrejamento de Preta Gil

Fonte: http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/herald/brasil/jair-bolsonaro-pede-apedrejamento-de-preta-gil

Bolsonaro nega que ataque a gays seja homofobia


O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) fez mais declarações polêmicas ontem. Em entrevista à Rádio Estadão-ESPN, Bolsonaro afirmou que não admite “apologia ao homossexualismo”, ao criticar o que ele chama de kit gay: vídeos anti-homofobia que o Ministério da Educação (MEC) estuda distribuir às escolas. Para o deputado, a briga entre ele e a comunidade gay não tem nenhuma relação com homofobia: “Atenção, pais: os seus filhos vão receber um kit que diz que é pra combater a homofobia, mas que na verdade estimula o homossexualismo. Para mim isso é grave. Eu não admito você fazer apologia ao homossexualismo, idolatrar o homossexual”, disse Bolsonaro. 

Questionado pela emissora sobre como seria se ele tivesse um filho gay, o deputado disse acreditar que a homossexualidade é uma questão de educação: “Eu não corro esse risco, eduquei muito bem meus filhos. Nós somos produto do meio. Eu sou contra a adoção por casais homossexuais. Se qualquer um de nós for criado por um homossexual, com toda certeza vai ser homossexual”, afirmou.

Na entrevista, Bolsonaro falou ainda sobre suposto aumento do número de gays atualmente. Para ele, há mais gays hoje por conta de “consumo de drogas, promiscuidade, o meio em que ele (o jovem) acaba vivendo, achando que tudo democrático é bacana, tudo é culpa da ditadura” (militar). O deputado aproveitou o espaço também para “saudar” os militares pelo 31 de março, data do golpe de 1964.

Preta Gil
O site oficial da cantora Preta Gil (www.pretagil.com.br) foi retirado do ar na tarde de ontem por um grupo de hackers autodenominado “Command Tribulation”.

Internautas conseguiram captar a mensagem que foi deixada na página principal antes que o site fosse totalmente derrubado: “Site hackeado. Abaixo a lei da homofobia. Abaixo a PL 122”.

O projeto de lei 122 está tramitando no Congresso Nacional, em Brasília, tendo com objetivo criminalizar a homofobia. (das agências de notícias)


Por quê

ENTENDA A NOTÍCIA
Preta Gil perguntou no “CQC”, como o deputado reagiria se seu filho se apaixonasse por uma negra. “Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”, respondeu Bolsonaro.

SAIBA MAIS 
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou que Bolsonaro (PP-RJ) tem se caracterizado como um estúpido. Vaccarezza propôs que o caso do congressista seja analisado também pela Comissão de Constituição e Justiça), e não só pela corregedoria e o Conselho de Ética da Casa.


Fonte: http://www.opovo.com.br/app/opovo/brasil/2011/04/01/noticiabrasiljornal,2120362/bolsonaro-nega-que-ataque-a-gays-seja-homofobia.shtml

Ter sido xingada me traz mais força pela causa, desbafa Preta Gil

Ter sido xingada me traz mais força pela causa, desbafa Preta Gil
Diva da Parada de São Paulo, Preta Gil promete atuar com mais força pelos gays

Preta é a diva da Parada de São Paulo 2011
Preta é a diva da Parada de São Paulo 2011
Preta Gil foi à apresentação da Parada de São Paulo na noite da última quarta-feira, 30, na Capital, transparecendo, no mínimo e com razão, muita chateação com os comentários homofóbicos e racistas do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). O clima atual de Preta é meio que vamos ferver depois porque agora a gente tem muito o que fazer, coisas sérias devem ser resolvidas, meu bem.

Sérias como os três processos judiciais que está movendo contra o parlamentar fluminense e a responsabilidade de ser a diva oficial da maior Parada LGBT do mundo. Lindamente loiríssima, Preta conversou com a gente durante o evento o tempo todo muito séria e mostrando certeza em cada passo que está dando, sempre em nome de se livrar dos preconceitos que ainda existem na sociedade brasileira.

Na entrevista a seguir, ela revela que se conhecesse o perfil de Bolsonaro antes não teria feito a pergunta no programa “CQC” para evitar escândalos, mas reconhece no episódio uma oportunidade de amplificar um discurso há muito tempo já incorporado em sua vida pessoal e profissional. Com a palavra, a dona da fervida Noite Preta.

Tem gente que chegou a falar que o CQC induziu a pergunta ao Bolsonaro.
Foi uma pergunta genuína, querendo saber a resposta dele. Eu perguntei se por um acaso um dos filhos do senhor se apaixonasse por uma mulher negra o que o senhor faria. De verdade? As pessoas me perguntam “ah Preta, você acha que caiu em uma armadilha do ‘CQC’, que eles te induziram a fazer?”. Não, eles não me induziram nada. Mas sem dúvida nenhuma se eu conhecesse o perfil dele talvez eu tivesse evitado, porque hoje eu sou uma mulher completamente da paz, como a gente viu aqui. Eu sou uma mulher que tenho plenos conhecimentos de todos os meus direitos e sou uma mulher que luto por muitas causas, mas isso da minha maneira. Fazendo meus shows, tentando dialogar sempre com meu público, com meus fãs. Eu não gosto e nem nunca gostei na minha carreira e na minha vida de escândalos. Eu não sou a favor de guetos, eu sou a favor exatamente disso que está acontecendo aqui hoje, da inclusão. Então eu nunca fui de levantar bandeira. Se eu soubesse exatamente quem era a pessoa para quem eu estava fazendo a pergunta, eu digo de verdade que eu não faria, porque eu não gostaria de ouvir essa resposta.

Ele disse que entendeu mal a sua pergunta. Achou que você tinha perguntado sobre gay em vez de negro. Você acredita nisso?Eu acho que a emenda sai pior que o soneto, não importa de fato se ele entendeu ou não. O que importa foi o que ele disse, isso para mim é o que importa. Ele me chamou de promíscua e chamou o ambiente em que eu fui criada de promíscuo. Isso é o que importa. Se referindo a mim como uma mulher negra, se referindo a negro ou a homossexuais, isso tanto faz. Mas eu não acredito que isso seja verdade porque a pergunta anterior a minha foi em relação ao casamento gay, à união gay.

Você acha que ele pode estar tentando amenizar a coisa?
Ele se apegou a uma coisa - porque ele é muito esperto - que o Marcelo Tas falou quando a matéria acabou. E o Tas já deu entrevistas e já escreveu sobre isso, que o quê ele está querendo na realidade é ser oportunista. O Marcelo falou: eu espero que o deputado não tenha entendido a pergunta da Preta. Mas ele falou isso com relação à esperança mesmo, à esperança de que a pessoa possa ter sido menos pior. Ele responder a pergunta entendendo que aquilo era para os gays é tão grave quanto se ele tivesse entendido a pergunta de verdade. Vamos fazer uma simulação da pergunta como ele imaginou: senhor deputado, o que o senhor acharia se um filho seu tivesse um relacionamento homossexual. ‘Preta não vamos falar de promiscuidade.’ O que tem a ver com promiscuidade as relações homossexuais e a opção sexual de um ser humano? Não tem nada a ver, ele foi absurdamente preconceituoso. Estou falando com vocês aqui porque só aqui eu me sinto à vontade para falar sobre isso, não atendi nenhum jornalista, não quis falar com nenhum jornalista nesses dias todos porque justamente eu não quero ficar alimentando a polêmica. Porque isso alimenta ele, se eu falo ele fala, se eu falo ele fala. Então eu não quero isso de maneira nenhuma.

Você acha que pode ser uma estratégia dele falar cada vez mais?
Mas ele está falando cada vez mais barbaridades. Ou seja, a lista do meu advogado e de todas as associações e dos parlamentares que estão entrando contra ele só está aumentando de provas. Porque ele vai reafirmando e reafirmando a homofobia dele, o preconceito dele a homossexuais. Ele citou meu pai, falou ‘quem é Gilberto Gil? Um homem que dá bitoca, beijinho na boca de outro’. Realmente é uma coisa surreal (risos).

Ele fez um ataque a sua pessoa quando ele disse que você não tem credibilidade para falar sobre isso.
Eu acho isso surreal, porque é exatamente isso que eu sou. Eu sou uma mulher que prego e prezo e fui educada e educo meu filho, como eu bem disse, para ser livre. Eu sou uma mulher de 37 anos de idade que já tive experiências na minha vida que eu tive, ingenuamente, enfim, oportunidade de declarar que já tive algumas experiências sexuais que eu não me arrependo e que me fizeram ser o quê eu sou hoje, uma mulher que sei muito bem o quê eu quero. Uma mulher que experimentou alguns sabores da vida e que isso só contribuiu para a minha formação como mulher, como artista. O que ele se refere como baixaria ou, como ele falou, ‘ela fez suruba, ela se relacionou com mulheres’, nada dessas práticas que ele me acusa, e que de fato eu fiz, são inaceitáveis. São práticas absolutamente naturais do ser humano que podem ser praticadas por quem bem entender e por quem for maior de idade se não se ferir e não ferir ao outro. Eu jamais na minha vida fiz nada contra um ser humano, contra qualquer pessoa. Nem muito menos contra mim mesma como mulher.

Você vai acioná-lo judicialmente por isso que ele falou?
Ele já está acionado, a questão é que vai se juntando provas. Ele me chamou primeiramente de promíscua. Tem uma parte do meu processo contra ele que vai diretamente a essa fala dele, onde ele me chama de promíscua. O resto, são três ações que a gente está movendo, são três processos diferentes em três esferas diferentes, é pela homofobia que ele fala na matéria, tudo o que ele fala na matéria. E é importante que as pessoa não fiquem atentas somente a mim. É porque realmente eu sou famosa e talvez eu tenha maior visibilidade, então fica focado somente ao que ele disse a mim,mas as atrocidades que ele disse na entrevista inteira são mais graves. Porque ele falou que não viajaria em um avião pilotado por um cotista, hoje eu vi uma carta de uma estudante de Medicina que é cotista e fala que ‘espero um dia que o senhor precise de cuidados médicos e que eu possa te atender e que eu possa curá-lo para que o senhor possa sobreviver e ver o progresso dos negros, das minorias’.

Nesse tempo você já parou pra pensar, tentou imaginar o porquê ele é assim?
Nada. Não quero pensar nisso.

Quando ele fala que o sogro dele é negão e que ele não é racista isso te parece demagogia?
Olha, eu não posso julgá-lo por essas coisas, eu julgo ele pelo todo. As frases isoladas, o que ele fala, isso me parece um misancene, que já reparei que é uma coisa que ele tem. Ele tem uma personalidade que ele impõe. Sabe por que ele fala isso? Homofobia no Brasil não é crime, ainda. Ainda não é, essa é a nossa luta. Racismo é crime, então ele muito bem fala ‘como eu seria burro de assumir em cadeia nacional que eu sou racista? Racismo é crime’. Racismo é crime! Se você hoje agride um negro, se você chama um negro pejorativamente querendo humilhá-lo você vai preso. Agora se você agride um homossexual na Avenida Paulista, se você me agride na televisão se referindo aos gays isso não é crime. Tem que mudar, tem que mudar radicalmente. Eu falei pro Marcelo Tas: nossa, olha onde vocês me meteram. E o Marcelo respondeu ‘nada acontece por acaso, você veio trazer à tona uma coisa que está acontecendo há muitos anos. Esse senhor é deputado pelo sexto mandato, o Rio de Janeiro elegeu ele seis vezes’. Eu pelo Twitter vejo mil hitlerzinhos, sei lá, seguidores dele, que acreditam mesmo que filho gay você tem que educar batendo, uma série de absurdos que não condiz com o que a gente está vivendo hoje em dia, com o que a gente luta, com o que a gente quer para a humanidade. Não é pro Brasil, é pra humanidade. A discussão não é estadual ou regional, é mundial.

Você acha que teve um ponto positivo acontecendo isso com você? Porque a gente sabe que você já processou gente antes e é uma pessoa que vai atrás dos seus direitos mesmo, do que você acha certo. 
Eu só processei uma pessoa e isso é uma coisa que eu não gosto de ouvir.  Não acho bom de maneira nenhuma que isso tenha acontecido, para a minha vida isso não tem nada de bom porque é um desgaste emocional muito forte, é uma coisa que mexe com a família, que mexe com muitas pessoas que me amam, que gostam de mim. Mas eu tenho força suficiente para lutar, sem dúvida nenhuma Deus dá aquilo que você pode suportar. Eu nunca processei gratuitamente ninguém. Justamente por eu ser uma mulher livre, transparente, que dou minha cara a tapa, muitas vezes as pessoas excederam comigo. Eu processei uma única vez um programa de televisão que fez uma sátira que me humilhou me chamando de baleia. E eu ganhei, a Justiça provou que a razão estava do meu lado. Quando eu vi o episódio na internet, porque eu não vi ao vivo, eu não tive dúvidas, eu não pensei nem meia vez antes de processar ele. E eu recebi muito, muito, muito apoio e tenho recebido esses dias todos, inclusive de parlamentares e de associações, movimentos gays, de movimentos negros e de pessoas que não são gays. É o que eu falo no meu show, o importante é a gente olhar o próximo e amar o próximo, que por acaso é o tem da Parada este ano, sem olhar a cor, o credo, a raça, a religião.

Esse tipo de coisa te dá mais força para vir à Parada com mais glamour, mais animada?
Foi uma coincidência, um acaso da vida. Eu já tinha aceitado, fui convidada há dois meses atrás para ser a diva da Parada, já tinha aceito o convite. Este evento já estava organizado na minha agenda há um mês, mesmo porque são 18 shows por mês, então a gente tem que arrumar uma vaguinha. Eu me coloquei à disposição do evento e da Parada por acreditar realmente em tudo isso antes desse episódio. É que eu não acredito no acaso, eu acredito que Deus faz as coisas certas da maneira Dele. Ter acontecido isso na segunda-feira sem dúvida me traz mais força pela causa, pela luta. O brilho, o glamour, a minha viadagem, a minha euforia, isso existirá sempre. Mas eu acho que me faz ainda mais militante, ainda mais ativa nessa questão de conscientizar as pessoas e de educar as pessoas a não praticarem o preconceito em esfera nenhuma.

Falando um pouquinho da Parada, o que você vai trazer para a Parada? Você já pensou em alguma coisa especial?
Ah, tem muitas coisas que a gente está pensando ainda. Muitas coisas especiais. Mas principalmente o meu coração que é o que eu acho que eu tenho de mais precioso, que é o meu amor verdadeiro, genuíno pelo ser humano, pelas pessoas. Sejam elas de que orientação sexual for. Eu gosto de olhar o coração das pessoas, de olhar o sorriso das pessoas. Essa é a minha grande troca na vida. Fiquei muito feliz com a organização do evento. É bom a gente ter consciência de que a Parada, como eu bem disse ali, não é somente um ato folclórico, uma festa.

Como você recebeu a notícia da escolha de diva da Parada? Você esperava, se imaginava diva da Parada?
Não esperava. A gente não trabalha esperando essas coisas, a gente trabalha simplesmente pelo amor e doação ao público. Mas eu graças a Deus tenho um público GLS muito forte. E tenho um show de muito sucesso, de muito êxito, que é a Noite Preta, que roda o Brasil inteiro e ele tem na sua maioria um público GLS, que veio de uma maneira absolutamente espontânea, natural justamente por eu ser do jeito que eu sou. Uma mulher que prego a liberdade, que falo sobre isso e vejo nos meus shows, e isso é uma coisa que é muito forte, a nova geração. São adolescentes que podem e se sentem livres e felizes de se beijar, de se abraçarem no meu show. E é um convívio de harmonia, são héteros que vão e que convivem com aquilo com muita naturalidade. É isso que eu prego, que eu prezo e que eu amo na minha vida e na minha carreira.

Você acha que tem alguma coisa que deveria ser melhorada na Parada?
Eu acho que Parada como ela está hoje, com tudo que a gente viu, é um avanço absurdo. A gente tem uma organização, tem uma militância, tem um ato político importante por trás. Eu acho que a coisa mais importante de tudo, e isso que eu ouvi aqui, é que a lei seja aceita. Porque eu acho que a gente pode festejar, que a gente pode brincar, que a gente pode lutar pelos nossos direitos, mas se a gente não tem a lei a gente pode levar uma lâmpada na cara, ou ser xingada e associada à promiscuidade.

Você quer ser madrinha dessa lei também?
Não, eu não tenho essa veia política. Não tenho mesmo. Eu vou ser madrinha sempre dessa lei porque eu acredito nisso. Eu não preciso de um cargo, de um nome para que eu continue sendo madrinha, diva da diversidade, da diversidade sexual, da diversidade cultural, que eu também trago muito isso para os meus shows, saber que o Brasil é múltiplo, que o Brasil é misto. Que o Brasil é negro, é índio, é branco, é mulato e é a Amazônia, é Belém do Pará, são os gaúchos, enfim, é isso que eu prego. Então eu não preciso de um título de uma coisa que eu já sou.

Você acha que a Parada tem efetivamente ajudado nisso?
Eu acho que sim, mas eu acho que agora com essa nova administração e com essa nova cara que eles estão dando para a Parada isso vai ser ainda mais forte. Eu acho que agora eles estão ainda mais focados nisso também. Não é só a Parada no dia 26, são os outros dias do ano inteiro lutando para isso.

Bolsonaro "foi longe demais", diz presidente da OAB-RJ; entidade entrou com representação por quebra de decoro parlamentar

As declarações do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) ao programa humorístico "CQC", transmitido na segunda (28), que fez referência sobre o homossexualismo e mulheres negras, são "inaceitáveis", segundo o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadih Damous. A entidade entrou nesta quarta-feira (30) com uma representação para abertura de processo por quebra de decoro parlamentar.

Veja a declaração de Bolsonaro no CQC


"Ele foi longe demais com as suas declarações. Não é a primeira vez que o deputado Bolsonaro tangencia com hostilidade na abordagem de temas relacionados a grupos sociais. Este é um posicionamento retrógrado", disse nesta quinta (31) Wadih Damous ao UOL Notícias ao comentar que a OAB quer a cassação do mandato do parlamentar.

"Diante das declarações do deputado Bolsonaro, nós as consideramos inaceitáveis tendo em vista o altíssimo teor de homofobia e racismo. Assim, julgamos incompatível com uma atividade pública e protocolamos uma representação por quebra de decoro parlamentar."
A representação para abertura de processo foi entregue à Mesa Diretora da Câmara de Deputados e é assinada pelo presidente da entidade, assim como pelo procurador-geral da OAB-RJ, Ronaldo Cramer, e pelo subprocurador-Geral da OAB do Rio, Guilherme Peres de Oliveira.
No documento, a OAB considera que "algumas de suas respostas extrapolaram a olhos vistos a liberdade de expressão, violando valores constitucionais essenciais ao Estado Democrático de Direito".

Segundo o documento, "fica claro o teor homofóbico e racista, este último, aliás, tipificado em tese até mesmo como crime inafiançável".

Essa é a terceira representação protocolada esta semana na Casa contra o deputado Bolsonaro. Na terça-feira (29), outras duas representações foram apresentadas ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). Uma foi elaborada pelo deputado Edson Santos (PT-RJ), que já ocupou a pasta de ministro da Secretaria de Igualdade Racial no governo Lula, e a segunda foi apresentada por parlamentares membros da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

Nota de esclarecimento
Por sua vez, o deputado Bolsonaro publicou em sua página na internet uma nota de esclarecimento sobre o caso. Ao ser questionado sobre o faria se tivesse um filho gay, Bolsonaro respondeu que isso "nem passava" pela sua cabeça, pois com "boa educação e um pai presente, (...) eu não corro esse risco". Quando questionado se iria a algum desfile gay, o deputado disse que não promove "os maus costumes".

Já à pergunta feita pela cantora Preta Gil, que indagava o que ele faria se o seu filho se apaixonasse por uma negra, Bolsonaro disse que não iria "discutir promiscuidade" e declarou não correr o risco porque seus filhos "foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu" (referente à Preta Gil).

Na nota pública de esclarecimento, Bolsonaro afirma que a resposta dada deveu-se a um "errado entendimento da pergunta - percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay".

Ainda no comunicado, o parlamentar afirma que "todos aqueles que assistam, integralmente, a minha participação no programa, poderão constatar que, em nenhum momento, manifestei qualquer expressão de racismo".

Bolsonaro reiterou não ser "apologista do homossexualismo, por entender que tal prática não seja motivo de orgulho".

Contudo, segundo a OAB, "a escusa do deputado sequer é crível", pois não houve "qualquer dubiedade capaz de gerar o referido engano" e porque se tratava de um vídeo anteriormente gravado, "sendo perfeitamente possível que, no caso de má compreensão da pergunta, o deputado solicitasse nova reprodução do vídeo em que veiculada".

Preta Gil "chocada"
O advogado que representa a causa da cantora Preta Gil, Ricardo Brajterman, disse ao UOL Notícias que a artista ficou "chocada e muito abalada" ao ter tomado conhecimento das declarações.

"Ela destacou o fato de que, desde pequena, o seu pai procurou incutir na sua educação a inclusão social de negros, nordestinos e homossexuais. Todos devem ser valorizados. Ela ficou estarrecida, extremamente chocada pelo fato de um cidadão como Jair Bolsonaro, formador de opinião e legislador, emitir e difundir pensamentos que preconizam a intolerância e que vão contra os princípios de dignidade humana e de liberdade de expressão", afirmou Brajterman.

O advogado da artista entrará com uma representação no Ministério Público por crime de intolerância racial e homofobia. Ele afirmou ainda que entrará com um processo na esfera cível com uma ação para pedir indenização por danos morais.

Líder religioso diz que declarações de Bolsonaro são fascistas

Líder religioso diz que declarações de Bolsonaro são fascistas
Redação 24 Horas News

A CCIR (Comissão de Combate à Intolerância Religiosa) reuniu-se nesta quarta-feira para comemorar três anos de existência e fazer um ato de repúdio às falas supostamente racistas do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) durante uma programa de televisão na segunda-feira (28). Para o interlocutor da comissão, o babalaô Ivanir dos Santos, a fala de Bolsonaro é um desrespeito às mulheres negras como seres humanos.  "É um ato fascista e que ameaça de novo a democracia, a liberdade de expressão e a liberdade religiosa", afirmou o babalaô.
A chefe da Polícia Civil do Rio, delegada Marta Rocha, ressaltou que não cabe à corporação agir contra as declarações.  "Ele tem imunidade parlamentar e deve ser punido pela própria câmara. Enquanto cidadão, acho que todas as pessoas devem se posicionar contra qualquer tipo de intolerância", disse a delegada.
No quadro "O Povo Quer Saber", do programa CQC, da TV Bandeirantes, a cantora Preta Gil perguntou como ele reagiria se seu filho se apaixonasse por uma negra. O parlamentar respondeu: "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu."
Bolsonaro alegou não ter tido a intenção de fazer nenhuma declaração racista. Disse que, na realidade, pensou que a pergunta se referisse a um relacionamento gay. "Essa se encaixa na resposta que eu dei. Para mim, ser gay é promíscuo, sim".
Em seu discurso, a delegada Marta Rocha lembrou de quando estava à frente da 12ª DP (Copacabana) e ajudou a organizar a Caminhada Contra a Intolerância Religiosa, que reúne milhares de pessoas há três anos em setembro na avenida Atlântica.  "Aquele dia foi mais do que um dia festivo, foi a realização do estado democrático de direito. Foi para nos lembrar que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. Esse povo não pode ser entendido sob a ótica da cor, da orientação sexual, da raça, da etnia ou da condição econômica", disse.
O ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça e grão mestre da maçonaria do Estado do Rio, Waldemar Zveiter, disse que ainda não viu o vídeo, mas atribuiu a fala a um possível erro de interpretação do deputado federal.  "Não acredito que ele daria uma resposta que contrariasse aquilo que o passado dele diz que ele é: um homem democrata. Não posso nem conceber que um homem público possa se manifestar dessa forma. Isso é a forma mais abjeta do racismo, ainda mais num país como nosso" disse Zveiter.

Fonte: http://www.24horasnews.com.br/index.php?mat=363756